Cadeira 8 (Efetivo) - Membro da APC desde 2020

Leila Maria Moreira Beltrão Pereira

Áreas: Medicina

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Com as sabias palavras de Mário Quintana: “mais triste do que um escritor virar seu próprio discípulo é quando ele vira um de seus próprios personagens,” inicio um resumo da minha trajetória acadêmica. Conclui o curso de Medicina em 1983. No decorrer do curso, teve início, de forma intuitiva, o meu amor pela arte de ensinar por meio de quatro monitorias: Histologia, Anatomia, Semiologia e Gastroenterologia. Após receber o grau de médico, fui aprovada em vários concursos de residência médica, optando pela consagrada residência de clínica médica do Hospital Barão de Lucena e a posteriores a residência em Gastroenterologia na mesma Instituição. No último ano da residência de Gastroenterologia, fui aprovada por concurso público, obtendo o primeiro lugar para professora da disciplina de Gastroenterologia da Faculdade de Ciências Médicas da UPE. Sentindo a necessidade de ampliar meus conhecimentos, neste momento já voltado para Hepatologia, realizei um Fellowship em Hepatologia no renomado “Institute of Liver Studies, King’s College Hospital – University of London”. Após a conclusão, fui convidada a realizar o PhD na área das hepatites virais e esquistossomose mansônica sobre a orientação do Prof. Roger Williams. Durante os cincos primeiros anos em Londres, publiquei vários trabalhos científicos em revistas de relevância na área e ampliando minha formação acadêmica, realizei o curso de Diploma em Medicina Tropical (DTMH), na “London School in Tropical Medicine and Hygine”. Em 1994, apesar de ter recebido o convite para permanecer no King’s, retorno ao Recife para cumprir o compromisso com a UPE como professora da FCM/UPE. Assumi a regência da disciplina de Gastroenterologia. Com um grupo de professores de diversas áreas acadêmicas elaboramos o programa de pós-graduação de Ciências da Saúde da UPE, no qual estive a frente da vice e coordenação por um período de 10 anos, permanecendo como membro permanente até os dias atuais. Retornei ao King’s da Universidade de Londres em 1998, para o pós doutorado na mesma área das hepatites virais. Ao retornar ao Brasil, submeto-me com apenas 40 anos de idade, ao concurso de Professor titular de Gastroenterologia da FCM/UPE no ano de 2000, sendo aprovada em primeiro lugar. Com outros colegas, iniciamos a implantação do serviço de Gastrohepatologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz e posteriormente os programas de especialização e residência médica da FCM na referida área de atuação. Em 2005, um grande desafio fez meu sonho de ter um Instituto do Fígado com semelhanças ao de Londres, em Recife para atendimento aos pacientes do SUS, tornou-se realidade. Liderado por empresários pernambucanos que formam o conselho deliberativo inauguramos a unidade diagnóstica e pesquisa clínica. Como uma Instituição privada sem fins econômicos, o Instituto do Fígado e Transplantes de Pernambuco – IFP vem alavancando o SUS com o atendimento de seus mais de 1800 pacientes/mês, oferecendo uma medicina de ponta. A frente desta Instituição desde a sua fundação, mantemos o IFP a disponibilizar ao paciente desde uma consulta de acolhimento até os mais complexos procedimentos para as doenças gastrohepáticas. Faço parte de renomadas Sociedades cientificas, destacando-se: Sociedade Brasileira de Hepatologia, Federação Brasileira de Gastroenterologia, Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, Ameriran Association for the Studies of Liver Diseases, European Associassion for Liver Diseases.

Patrono

Roger Williams

Prof. Roger Williams nasceu em 28/08/1931, na cidade Southampton, UK e durante sua escolaridade almejou ser médico. Graduado pela Royal London em 1953, sua primeira apresentação a hepatologia foi trabalhando com a Dame Sheila Sherlock em 1959, experiência esta que o inspirou a se tornar um Hepatologista. Em 1961, viajou para Colômbia para estudar testes de função hepática e cateterização das veias hepáticas. Em 1963, retorna ao Royal Free Hospital, centro britânico de referência em doenças hepáticas ainda chefiado pela Dame Sheila Sherlock. Ao seu lado, publicou diversos trabalhos relacionados a esplenomegalia tropical o que lhe fez ir a África. Finalmente, em 1965 decide se mudar para o King´s College Hospital em Londres onde permaneceu até 1996. Em apenas quatro anos, alcançou o grau de “Consultant” em Hepatologia, iniciando a erguer um grande centro de hepatologia e em 1968, ao lado do renomado cirurgião Sir Roy Kalne coordena o primeiro transplante de fígado do continente europeu. Com sua expertise peculiar, amplia a estrutura da unidade de fígado transformando-a no Institute of Liver Studies, tornando-se assim o maior, o mais produtivo e respeitado centro de hepatologia do mundo liderado por ele e pelo seu legado nos últimos 56 anos. Difícil mensurar os inúmeros avanços implantados pelo Prof. Roger Williams durante sua trajetória no King´s. Sedimentou o transplante de fígado, criou a unidade de terapia intensiva exclusiva para as doenças hepáticas, agregou grupos de pesquisas que reuniam cientistas da área básica, clínicos e cirurgiões. Treinou mais de 600 fellows de vários países e se tornou fonte de inspiração para muitos dos seus discípulos. Ao atingir 65 anos de idade no Reino Unido chega o momento da aposentadoria, onde muitos “hang up their shoes” e buscam o lazer. Mas não foi o que aconteceu com o Professor Roger Williams. Aposentou-se do King`s e se mudou para o University College of London – UCL onde ergueu o Institute of Hepatology em 1996, com foco na inovação e pesquisa de várias doenças hepáticas. Sua tenacidade e busca incessante de novos conhecimentos, leva-o de volta ao King´s em 2006, onde constrói o terceiro independente Institute of Hepatology com foco na pesquisa básica de alta performance. Durante sua trajetória, recebeu várias honrarias, publicou mais de 2000 trabalhos científicos, inúmeros capítulos de livros, que lhe fez obter um índice H acima de 130. Adicionada a sua paixão pela hepatologia, foi um exímio jogador de tênis e tendo como hobby navegar e velejar seu próprio iate. Em julho de 2020, o Prof. Roger Wlliams partiu para a eternidade como ele sempre dizia: “died with his boots on”. As sabias palavras de Benjamin Disraeli definem Roger Williams: “The Legacy of Heroes is the memory of a great name and the inheritance of a great example”.